Nuances da língua
Idioma oficial de nove países, a língua portuguesa apresenta muitas sutilezas que, vez ou outra, acabam por confundir até bons escritores ou pessoas que costumam ter zelo pela linguagem. Essas nuances chegam a passar despercebidas para a maioria das pessoas desapercebidas.
Arrolo, nas próximas linhas, algumas dessas curiosidades. A primeira diz respeito ao uso das vírgulas. Vamos desmistificar a ideia de que não ocorre vírgula antes do “e”. Quando o “e” liga duas orações de sujeitos diferentes, a vírgula ocorre: Eu mostrei o caminho, e o garoto seguiu por ele. Caso o “e” integre a expressão “e sim” (com o sentido de “mas”), a vírgula se faz presente: Não quero prévias de qualquer jeito, e sim do jeito certo. Se o “e” introduz uma sequência de vários termos ou orações, também usamos a vírgula: O professor explicou, e analisou, e detalhou.
Outra costumaz confusão ocorre com “vir” e “vim”. Vir refere-se à primeira e terceira pessoa do singular, do infinitivo pessoal, do verbo “vir”. Essa forma é empregada, geralmente, acompanhada de outro verbo: Você deve vir amanhã; eles devem vir amanhã. Vim é a forma conjugada do verbo “vir” na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo: Eu vim antes do início da reunião. Outras dicas importantes: se a frase se referir ao passado, é a vez do “vim”; do contrário, use “vir”. E não se esqueça de que a frase “Ele vai vim” está inadequada. O adequado é “Ele vai vir”. Uma última observação: “vir” ainda pode ser forma do verbo “ver”: Quando vir o professor, dê meu recado.
A confusão prossegue com “senão” (do contrário) e “se não” (caso não). Escrita numa só palavra, a primeira forma, normalmente, vem na segunda parte da oração: Preste atenção, senão será repreendido. Já a locução condicional “se não”, pode vir em qualquer parte da oração: Ficarei triste se não chegar (caso não chegue) a notícia que tanto aguardo; Se não comprar logo os presentes, posso perder a promoção.
Ser assertivo não tem a ver com acerto. O adjetivo “assertivo”, que faz uma asserção (afirmação categórica); afirmativo, assumiu, na psicologia, a conotação de decisão e firmeza nas atitudes e palavras. O verbo “assertar” significa emitir afirmações, afirmar, asseverar.
O verbo “requerer” (pedir por meio de requerimento) não se conjuga como o verbo “querer”. No presente do indicativo, começa com “eu requeiro”. Apesar de irregular, quando está no pretérito “imita” verbos regulares, como atender, vender: eu requeri, tu requereste, ele requereu.
Se o poeta queria se “dedicar a criar confusões de prosódias”, muita gente leva isso ao pé da letra. É comum, por exemplo, que se pronuncie incorretamente a palavra “inexorável”, confundindo-a com a forma oral de “nexo”, cujo “x” é pronunciado /ks/. Para início de conversa, “inexorável” (é algo cujo rigor não pode ser amenizado; inflexível) é antônimo de “exorável”, vem de “exorar” (pedir com súplicas), cujo “x” é pronunciado /z/. Sua pronúncia é semelhante à de “exonerar”, “exorcizar” e “exorbitar”, todos com som de “z”.
Para não esquecer, “ibero” não tem acento. A pronúncia rima com “bolero”, “severo”. A sílaba tônica é a penúltima nesses casos. Também é paroxítona a palavra “recorde”, cuja pronúncia é idêntica à de “concorde”.
Mantendo a toada das pronúncias, “subsistir” e “subsistência” podem ser pronunciadas de duas formas: /subssistir/ e /subzistir/; /subssistência/ e /subzistência/. Já na palavra “exegese” (interpretação minuciosa de um texto ou de uma palavra) o “x” tem som de “z”: /ezegese/. A palavra “nobel”, cuja sílaba tônica é a última, é pronunciada como “papel” e “pincel”. O termo “gratuito” é pronunciado como “intuito” e “fortuito”; portanto, nada de /gratuíto/.
Ainda no tom das palavras, cabe registrar o vocábulo “subsídio”, que tem a pronúncia de “s”, e não de “z”. Para não errar, basta chamar o “subsíndico”, quando o elevador estiver no “subsolo”.
Idioma oficial de nove países, a língua portuguesa apresenta muitas sutilezas que, vez ou outra, acabam por confundir até bons escritores ou pessoas que costumam ter zelo pela linguagem. Essas nuances chegam a passar despercebidas para a maioria das pessoas desapercebidas.
Arrolo, nas próximas linhas, algumas dessas curiosidades. A primeira diz respeito ao uso das vírgulas. Vamos desmistificar a ideia de que não ocorre vírgula antes do “e”. Quando o “e” liga duas orações de sujeitos diferentes, a vírgula ocorre: Eu mostrei o caminho, e o garoto seguiu por ele. Caso o “e” integre a expressão “e sim” (com o sentido de “mas”), a vírgula se faz presente: Não quero prévias de qualquer jeito, e sim do jeito certo. Se o “e” introduz uma sequência de vários termos ou orações, também usamos a vírgula: O professor explicou, e analisou, e detalhou.
Outra costumaz confusão ocorre com “vir” e “vim”. Vir refere-se à primeira e terceira pessoa do singular, do infinitivo pessoal, do verbo “vir”. Essa forma é empregada, geralmente, acompanhada de outro verbo: Você deve vir amanhã; eles devem vir amanhã. Vim é a forma conjugada do verbo “vir” na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo: Eu vim antes do início da reunião. Outras dicas importantes: se a frase se referir ao passado, é a vez do “vim”; do contrário, use “vir”. E não se esqueça de que a frase “Ele vai vim” está inadequada. O adequado é “Ele vai vir”. Uma última observação: “vir” ainda pode ser forma do verbo “ver”: Quando vir o professor, dê meu recado.
A confusão prossegue com “senão” (do contrário) e “se não” (caso não). Escrita numa só palavra, a primeira forma, normalmente, vem na segunda parte da oração: Preste atenção, senão será repreendido. Já a locução condicional “se não”, pode vir em qualquer parte da oração: Ficarei triste se não chegar (caso não chegue) a notícia que tanto aguardo; Se não comprar logo os presentes, posso perder a promoção.
Ser assertivo não tem a ver com acerto. O adjetivo “assertivo”, que faz uma asserção (afirmação categórica); afirmativo, assumiu, na psicologia, a conotação de decisão e firmeza nas atitudes e palavras. O verbo “assertar” significa emitir afirmações, afirmar, asseverar.
O verbo “requerer” (pedir por meio de requerimento) não se conjuga como o verbo “querer”. No presente do indicativo, começa com “eu requeiro”. Apesar de irregular, quando está no pretérito “imita” verbos regulares, como atender, vender: eu requeri, tu requereste, ele requereu.
Se o poeta queria se “dedicar a criar confusões de prosódias”, muita gente leva isso ao pé da letra. É comum, por exemplo, que se pronuncie incorretamente a palavra “inexorável”, confundindo-a com a forma oral de “nexo”, cujo “x” é pronunciado /ks/. Para início de conversa, “inexorável” (é algo cujo rigor não pode ser amenizado; inflexível) é antônimo de “exorável”, vem de “exorar” (pedir com súplicas), cujo “x” é pronunciado /z/. Sua pronúncia é semelhante à de “exonerar”, “exorcizar” e “exorbitar”, todos com som de “z”.
Para não esquecer, “ibero” não tem acento. A pronúncia rima com “bolero”, “severo”. A sílaba tônica é a penúltima nesses casos. Também é paroxítona a palavra “recorde”, cuja pronúncia é idêntica à de “concorde”.
Mantendo a toada das pronúncias, “subsistir” e “subsistência” podem ser pronunciadas de duas formas: /subssistir/ e /subzistir/; /subssistência/ e /subzistência/. Já na palavra “exegese” (interpretação minuciosa de um texto ou de uma palavra) o “x” tem som de “z”: /ezegese/. A palavra “nobel”, cuja sílaba tônica é a última, é pronunciada como “papel” e “pincel”. O termo “gratuito” é pronunciado como “intuito” e “fortuito”; portanto, nada de /gratuíto/.
Ainda no tom das palavras, cabe registrar o vocábulo “subsídio”, que tem a pronúncia de “s”, e não de “z”. Para não errar, basta chamar o “subsíndico”, quando o elevador estiver no “subsolo”.