Os desafios da linguagem

Diversos são os desafios para quem quer melhorar no binômio comunicação e expressão. A boa notícia é que essa meta não é difícil de ser batida. Há dicas valiosas que – se praticadas com afinco e disciplina – surtirão efeito rapidamente.

Uma fala elegante é aquela que apresenta um vocabulário variado e rico em possibilidade. Isso é possível com um simples exercício: basta tentar eliminar a palavra “muito”, que, como advérbio de intensidade, facilmente rouba a possibilidade do uso de palavras que são pouco utilizadas em nosso português.

Vejamos algumas expressões e as possíveis substituições entre parênteses: muita raiva (furioso); muita fome (faminto); muito engraçado (hilário); muito grande (enorme); muito cansado (exausto). Evidentemente, há mais expressões com a palavra “muito”, mas a estratégia é a mesma para todas elas. 

Toda vez que esse exercício é feito, aumenta-se o repertório de palavras e expressões. Fica claro, portanto, que quanto mais palavras se conhece, maior a chance de apresentações mais claras e objetivas.

Quando falamos de reputação de marca pessoal ou da empresa que se representa, detalhes revelam como somos cuidadosos conosco e com os leitores daquilo que enviamos. Então, deve-se ficar atento aos deslizes ortográficos, infelizmente, comuns em épocas natalinas. 

O cumprimento usado neste período é com hífen: boas-festas. Se usamos “boas festas”, estamos falando de festas que não são ruins.  E não se pode esquecer que “ano novo” é apenas um ano que não é velho. A festividade; meia-noite do dia 31 de dezembro é “ano-novo” (com hífen), cujas iniciais também podem ser maiúsculas (Ano-Novo).

Não como mover a pedra sem fricção, isto é, não há como obter avanços sem sacrifícios. Então, seguem três sugestões: o dicionário deve estar sempre aberto – consultas a sinônimos e antônimos devem ser rotina; a busca pela origem das palavras e expressões ajudará a entender melhor a língua; a revisão do que se escreve é fundamental – trata-se de uma busca pela perfeição. 

No campo da expressão, ou seja, do modo como nos comunicamos, em tempos de trabalho remoto e mensagens de texto, escrever com clareza virou um novo desafio, o que muitos já chamam de nova empatia. 

Nossa cultura de valor exige respostas imediatas. Mas nem sempre responder uma mensagem assim que se recebe, sem ter calma para entender o que a outra pessoa quer dizer, pode ser um fator positivo. Isso pode levar a respostas rasas de sua parte ou até confusas.

Pensar antes de digitar é um exercício a ser praticado cada vez mais. Compreender a mistura de emoções sentida no momento (raiva, ansiedade, otimismo etc.) é importantíssimo. Outro fator crucial é adaptar o tom à pessoa que vai receber a mensagem. Ser cordial e escrever com calma estão se tornando duas habilidades decisivas no cotidiano.

Numa reunião ou apresentação, falar menos do que o necessário é fundamental. Embora muita gente ache que impressionar com palavras seja vantagem, quanto mais se fala, mais comum se aparenta ser.  No fim das contas, a comunicação deve ser o meio, e não a barreira.