Em linguagem, nada é inexpressivo

Cada um de nós interage verbalmente com os outros em diversos ambientes e dimensões da vida. Em um único dia, por exemplo, você pode interagir com seus familiares e com os colegas de trabalho em uma conversa, com o professor em uma aula, com os autores de um livro por meio do próprio texto; você interage com amigos por meio de conversas, telefonemas ou posts em sites de relacionamentos; ao ler um jornal ou assistir ao noticiário na TV, você interage com os jornalistas e com outras pessoas por meio de notícias, reportagens, etc. Em outras palavras, somos seres que participam de diversas esferas de atividade. Por isso, é fundamental o cuidado com a linguagem, que deve estar adaptada a cada situação específica.

Alguns detalhes podem parecer inexpressivos, mas (acredite – em linguagem nada é inexpressivo) fazem muita diferença e causam dúvidas na hora de escrever. Portanto, vamos a algumas dicas.

Para escrever datas, é importante observar que os meses são escritos com inicial minúscula: janeiro, fevereiro, março. Contudo, as datas comemorativas grafam-se com a letra inicial maiúscula: Primeiro de Maio, Dia do Trabalho, 21 de Abril, Sete de Setembro, Proclamação da República, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia da Árvore, Natal.

É dispensável o dígito zero antes do número referente ao dia do mês e não se usa o ponto que separa o milhar na indicação de ano: 5 de março de 2017. É desnecessário escrever a palavra “dia” antes do dia, “mês” antes do mês ou “ano” antes do número respectivo: O documento foi assinado em 12 de janeiro de 2022 (não no dia 12 de janeiro do ano de 2022). Basta dizer “Em outubro haverá eleições”, e não: no mês de outubro…

Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas: com traços: 15-10-2020; com barra: 15/11/2021; com ponto: 10.12.2022. Mas atenção: o primeiro dia do mês é 1°, sempre. Jamais será 1: 1° de janeiro; 1° de abril; 1° de maio.

E por falar em numerais, separe por ponto as classes: 4.316; 1.324.728. Todavia, lembre-se de que as datas dispensam o ponto: 1975; 2020. Só faça aproximação com números redondos: cerca de 300 pessoas, nunca cerca de 92 pessoas. Na numeração de artigos de leis, decretos, medidas provisórias etc., use o ordinal até nove. De 10 em diante, o cardinal: artigo 1°, artigo 9°, artigo 10, artigo 17.

Os números romanos oferecem mais dificuldade de leitura do que os arábicos. Dê-lhes vez só em texto de lei e no nome de papas, reis e nobres: Bento XVI, D. João Paulo II, Dom Pedro II, Parágrafo V. No mais, opte pelos algarismos arábicos: século 21, capítulo 4°, Anexo 3, 1ª Guerra Mundial, 6° Congresso de Educação a Distância.

Saindo dos números, vale lembrar alguns casos de grafia de palavras que causam muita confusão. Muitas vezes por falta de atenção, outras por acreditar que, de fato, há um “d” mudo, as pessoas tendem a escrever “advinhar”. Tenha atenção para não cometer esse erro. O certo é adivinhar.

Utiliza-se o X em palavras com a sílaba inicial ME: mexido, mexer, mexicano etc. Porém, sempre há exceções: mecha, por exemplo. 

A consoante “s”, quando entre vogais, tem som de “z”. Nesses casos, não há uma regra para definir quando será “s” ou “z”, sendo necessário, então, gravar. “Paralisação” é com “s”, assim como o verbo do qual esse substantivo deriva: “paralisar”. Contudo: “azar”, “azarar”, “azaração” são palavras escritas com Z.

Outra confusão: muita gente escreve “veicular” no lugar de “vincular”. As duas palavras existem, mas seus contextos de uso são completamente diferentes. Veicular é “transmitir, transportar”; vincular é “ligar a algo, criar vínculo”.

Por fim, a palavra “ascensão” provoca dúvida semelhante à escrita de exceção. A culpa é dos muitos sons de “s” e muitas possibilidades ligadas a esse som também: “ss”, “sc”. Enfim, o jeito é internalizar com a prática.