Escrever (ainda) é (muito) necessário

Nos últimos tempos, a evolução tecnológica tem afetado a sociedade e o modo de viver das pessoas. Na década de 1990, a internet transformou a economia industrial para a economia digital, o que se chamou de Era da Informação. Atualmente, no século 21, os smartphones configuraram a Era da Conexão, na qual as pessoas se comunicam, relacionam-se e trabalham utilizando-se das redes sociais. 

Para se ter uma ideia desse mundo conectado, estimasse que quatro bilhões de pessoas usam smartphone no mundo. Mais de 100 milhões somente no Brasil. Além disso, há o metaverso, mais uma das evoluções que a tecnologia e a internet trazem nesta década e que marca a Era da Imersão. Apesar de tudo isso ou exatamente por causa disso, é necessário escrever. 

A comunicação escrita vem depois da falada. Esta é aprendida naturalmente no convívio com o grupo social. Aquela é adquirida numa situação formal de aprendizado, quase sempre na escola.

Contudo, o fato de estarmos vivendo a Era da Conexão, em que imagens impressionam, e a escrita ocupar uma posição segunda entre as possibilidades de comunicação verbal não significa que ocupe uma posição secundária. Pelo contrário: saber escrever é e sempre será requisito essencial para promover a ascensão social, cultural, profissional e econômica de qualquer indivíduo. 

Se há dúvidas quanto à necessidade de saber escrever, é interessante perguntar: por que será que, em pleno século XXI, no período da comunicação via internet, das videoconferências, dos cursos oferecidos a distância, ainda se publicam e se vendem livros a respeito do ato de escrever?

Evidentemente, não há só a preocupação, mas existe a necessidade de se expressar por escrito, com clareza e precisão. Para quem está (ou quer estar) numa sociedade globalizada e participa de um mundo envolvido continuamente por mudanças de toda natureza (social, econômica, científica), é natural ter de apresentar ideias. E a escrita ainda é a maneira mais generalizada e acessível para isso, seja para produzir um simples e-mail, seja para produzir uma tese de doutorado. Escrever pode não ser a primeira possibilidade de comunicação verbal, mas, com certeza, como já o dissemos, não é uma modalidade secundária.

Quando unimos a Era da Conexão, que envolve – quase sempre – comunicação instantânea com a necessidade de escrever, temos um cenário que revela o quanto se precisa melhorar na clareza e exposição das ideias por escrito. 

Foi Machado de Assis, o maior escritor brasileiro, quem falou: “A primeira condição de quem escreve é não aborrecer”.  E a escrita nos possibilita avaliar mais conscientemente o próprio ato de escrever. Antes que o texto chegue a alguém, é possível visualizá-lo, conferi-lo, corrigi-lo, reescrevê-lo… 

Essas ações são fundamentais para o sucesso de um texto escrito. A escrita não é necessariamente mais formal, mas são o modelo de texto, o objetivo, a situação e o tipo de destinatário que determinam como será realmente o texto. E, em qualquer circunstância, uma característica será, sempre, a mais importante: a absoluta clareza de expressão. 

Ainda sobre a escrita, Machado, o Bruxo do Cosme Velho, em carta a Enéas Galvão, de 30 de julho de 1885, afirmou: “Com os anos adquire-se a firmeza, domina-se a arte, multiplicam-se os recursos, busca-se a perfeição, que é a ambição e o dever de todos os que tomam da pena para traduzir no papel as suas ideias e sensações”.